domingo, 27 de março de 2011

VINHOS DA TOSCANA

     A Toscana é uma região essencialmente vinícola. Indicar alguns vinhos desta região é um grande desafio, pois é tão grande a variedade que qualquer lista de vinhos da Toscana, já nasce causando polêmica entre os enófilos.

     Chianti Clássico – Talvez seja o vinho toscano mais conhecido no mundo. É um vinho tinto seco, produzido com as uvas tintas Sangiovese (predominante) e Canaiolo, e as brancas Trebianno e Malvásia, nas colinas entre as cidadesde Firenze e Siena. O Chianti combina bem com comidas leves. São mais de sete mil produtores deste vinho, por isso você pode encontrar desde produtos medíocres até vinhos artesanais de altíssima qualidade. Um dos produtores mais tradicionais é a família Antinori, que tem os rótulos Villa Antinori e Tenute Marchese Antinori.

     Brunello de Montalcino – Este vinho de cor vermelho rubi intenso, produzido com a uva sangiovese, é um dos ícones da Toscana. Foi em 1860 que Ferruccio Biondi Santi, inventou o nome brunello para denominar um clone da uva sangiovese, cultivado nos vinhedos da comuna de Montalcino, província de Siena. Quando jovens, estes vinhos tem muita estrutura em termos de tanino e acidez. Mas o Brunello de Montalcino é um grande vinho de guarda, e com o passar do tempo, toda a sua estrutura é domada, revelando sabores e aromas sutis e inimagináveis. Acompanha muito bem a famosa Bisteca Fiorentina. Visitei a vinícola Poggio Antico, e fiquei impressionado com o aparato tecnológico utilizado para produzir este tradicional vinho. Não resisti à tentação de adquirir algumas garrafas do Brunello de Montalcino Riserva 2004. Espero que eu consiga guardar pelo menos uma garrafa para tomar a partir de 2014, quando o vinho completa 10 anos, e atinge o ponto ideal para ser apreciado.





     Vino Nobile de Montepulciano – Este vinho também é produzido somente com uvas regionais da Toscana: sangiovese (mínimo 70%), canaiolo nero (10% a 20%) e pequenas quantidades de outras variedades locais. Este vinho disputa com o Brunello de Montalcino, pois as duas comunas vizinhas (Montepulciano e Montalcino) são historicamente arquirivais. Muita gente prefere este vinho por ser muito mais versátil, combinando até com peixes. Polêmicas à parte, nós amantes do vinho agradecemos aos céus, os preciosos produtos dessa rivalidade.

     Vernaccia di San Gimignano – Desde a Idade Média este vinho é considerado o melhor vinho branco da Itália. Há uma citação deste vinho em uma das obras de Dante Alighieri. Mas devido a dificuldades no cultivo das uvas Vernaccia este vinho praticamente desapareceu no início do século XX. Este vinho ressurgiu no início dos anos 60.

     Sassicaia – Este é o melhor, e também o mais caro vinho da Toscana. Ele surgiu em 1970, como um produto inovador: o primeiro vinho italiano envelhecido em barricas, e o primeiro grande cabernet sauvignon (até então considerada uma uva intrusa), iniciando a “onda” do vinhos super-toscanos, que vieram quebrar s tradicionais regras da produção vitinicícola dessa região. O Sassicaia é produzido em Bolgheri, pela Tenuta di San Guido, da família Gherardesca (primos dos Antinori). Foi também o primeiro vinho italiano a receber nota 100 do temido crítico Robert Parker. É um vinho elegante e voluptoso.



     Tignanello – Este vinho era originalmente um Chianti Clássico, produzido pela família Antinori. Mas pegou carona na “onda” dos super-toscanos: primeiro foram totalmente eliminadas as uvas brancas toscanasde sua composição original (1975); depois, a partir de 1986, foram introduzidas as uvas cabernet sauvignon (10%) e cabernet franc (5%), junto com a uva sangiovese (85%). O resultado foi maravilhoso, e o Tignanello conquistou o mundo. Tive o prazer de me deliciar corriqueiramente (ao longo de uma curta semana) com este vinho, pois ficamos no Hotel Fonte de Medici, que fica ao lado desta vinícola.



     Solaia – Solaia (a ensolarada)  também é um vinho super-toscano, produzido em um privilegiado e ensolarado vinhedo, ao lado do vinhedo Tignanello, ambas pertencentes à família Antinori. Aliás, o Solaia é o espelho invertido de seu vinho-irmão Tignanello: sua composição é de cabernet sauvignon (75%), sangiovese (20%) e cabernet franc (5%). É um vinho cult, que tem 97 pontos na Wine Spectator. È um vinho que tem uma deliciosa complexidade.



    
     Vin Santo – Este é o vinho de sobremesa da Toscana, que é produzido com uvas selecionadas, e dessecadas em esteiras de palha ou de bambu durante seis meses, perdendo 70% do se líquido. O resultado da prensagem destas uvas, é um mosto rico em açúcar e álcool. Uma das versões sobre a origem do nome deste vinho, diz que este vinho foi o resultado da busca por um vinho doce para se utilizar nas cerimônias religiosas, para agradar uma grande quantidade de fiéis. Há uma grande variedade de Vin Santo; alguns são elaborados com as uvas brancas trebbiano e malvasia, e outros são elaborados com a uva tinta sangiovese, gerando um vinho rosado conhecido com Occhio di Pernice (olho de perdiz). Uma grande jóia é o Avignonesi Occhio di Pernice Vin Santo de Montepulciano. Santo vinho!!!





domingo, 20 de março de 2011

O VINHO SOHO

     A história do vinho Soho está entrelaçada, como os ramos da videira, com a história de nosso restaurante Soho:
     -Agosto de 2008 - Fátima Mendonça, irmã de meu sócio e amigo João Mendonça, cumpre a primeira etapa do programa Winemakers (o primeiro da América Latina), realizado na Escola do Vinho de Bento Gonçalves, de propriedade da Miolo Wine Group. Nesta primeira etapa, 23 enófilos de todo o Brasil, realizaram a poda seca dos parreirais, que nesta época estão em estado de hibernação. Neste mesmo período, começava a ser desenhado o projeto Soho Fortaleza.


                                          Fátima Mendonça fazendo a poda seca.

     -Novembro de 2008 - O grupo de enófilos retorna a Bento Gonçalves para realizar mais uma etapa importante para a elaboração do vinho: a poda verde. Esta etapa é essencial, pois após o período de hibernação, a videira gera muitos galhos, e para a produção de uvas de qualidade é necessario selecionar os galhos mais fortes, e eliminar os mais fracos. Nesta época estavam sendo iniciadas as obras do restaurante Soho.


                               Winemakers fazendo a poda verde.

     -Março de 2009 - Fátima vai novamente a Bento Gonçalves para participar da vindima, o minucioso trabalho da colheita (que deve ser feita no momento certo), a seleção da uvas e sua prensagem, e a adição das leveduras que são responsáveis pela mágica tranformação do suco de uva em vinho. E março de 2009 foi o mês da inauguração do Soho (incrível coincidência!!!).


                               Fátima colhendo cuidadosamente os preciosos frutos da videira.

     -Julho de 2009 - Mais uma etapa importante do Winemakers: o corte do vinho. E para conduzir esta etapa, veio da França um dos melhores e mais respeitados enólogos do mundo: Michel Rolland. Segundo Fátima, esta etapa foi a mais emocionante, pois foi um privilégio ter como mestre Michel Rolland, que é um verdadeiro mago alquimista. E o Soho enfrentava o desafio de sua primeira alta temporada. Um sucesso!

                               Michel Rolland e Adriano Miolo coordenando o trabalho de corte do vinho.


     -Janeiro de 2010 - Última etapa do Winemakers: o engarrafamento e a rotulagem do vinho. E para completar a série de coincidencias (casuais ou esotéricas...) o vinho recebeu o rótulo Soho. Mas este foi apenas o início da história de um vinho que vai alcançar a sua plenitude aos 8 a 10 anos. E o restaurante Soho, prestes a completar 1 ano, já tem a certeza de que veio para ficar, e que assim como a história de seu vinho, a sua vida estava apenas começando...


                               O vinho recebendo o rótulo Soho


                               O enólogo Adriano Miolo e sua esposa degustando o vinho Soho.

                                   FICHA TÉCNICA DO VINHO SOHO

Safra: 2009
Variedades: Merlot e Cabernet Sauvignon
Produtor: Miolo Wine Group
Winemaker: Fátima Mendonça
Maturação: 6 meses em barricas novas de carvalho francês.
Teor alcoólico: 13,5% vol.
Temperatura de serviço: 16 a 18 graus Centigrados


                      DEPOIMENTO DA WINEMAKER FÁTIMA MENDONÇA

     -"Depois desta imersão no fascinante processo de gestação do vinho Soho, hoje tenho um prazer muito maior em degustar um bom vinho, pois sei de todo o trabalho, todo o cuidado, toda a tecnologia, e todo o carinho necessários para transformar os frutos da videira no sumo sagrado contido em meu cálice..."

                                       ONDE ENCONTRAR

     O vinho Soho será lançado brevemente (em abril de 2011) no restaurante Soho Fortaleza. Será um grande prazer a degustação de cada gole desta história...

terça-feira, 15 de março de 2011

UM VINHO EXCELENTE POR UM PREÇO RARO

     Conseguimos adquirir um lote do vinho Quinta do Serrado Reserva 2003, estamos colocando (no Soho)à disposição de nossos clientes por R$ 69,00 a garrafa. Este vinho é vendido nas importadoras por no mínimo R$ 150,00, e nos bons restaurantes do eixo Rio - São Paulo por R$ 240,00 ou mais.
     Este vinho tem o prêmio de medalha de prata na região do Dão. Sua uva é a Touriga Nacional. O aroma tem boa persistência, e o sabor frutado e encorpado,  equilibrado com a maciez adquirida pelo tempo de guarda (1 ano em tanques de inox, 1 ano em barris de carvalho francês e mais de 5 anos engarrafado). Está primoroso!

domingo, 13 de março de 2011

SOHO FORTALEZA

     Depois de 10 felizes e saborosos anos com o Kingyo Restaurant, estávamos sentindo a necessidade de fazer alguma mudança para apresentar aos nosso clientes. Passei o ano de 2008, analisando alternativas...E foi no segundo semestre desse ano que surgiu a oportunidade de participar de um projeto muito ousado e empolgante: o Soho Fortaleza. Juntei-me a uma parceria que o amigo e empresário João Mendonça estava articulando, com o Jefferson Queiroz, que é proprietário do Soho de Salvador (um restaurante de grande sucesso da cozinha contemporânea japonesa). O casamento foi perfeito, pois, apesar de minhas raízes tradicionalistas, meu trabalho como chef já tendenciava naturalmente para a cozinha contemporânea japonesa. Tenho sólidos conhecimentos da cozinha japonesa tradicional, pois aprendi a cozinhar com meus pais e avós. Mas minha paixão pela gastronomia, e minha amizade com grandes chefs de Fortaleza (Fernando Barroso, Bernard Twardy, e outros), me levou a conhecer e praticar muitos elementos da gastronomia internacional e regional. Hoje, tenho a somatória de todos esses ingredientes, para elaborar pratos japoneses (pois não abandono minhas raízes), com uma rica influência multicultural. É o Soho!!!







sexta-feira, 4 de março de 2011

GYUPARI - MINHA HOMENAGEM À FRANÇA

     Para os amantes da boa cozinha, é impossível não ser influenciado pela gastronomia francesa. As técnicas, os insumos, a estética e a paixão dos franceses pela gastronomia, são requisitos básicos para todos os que se aventuram a estudar a história da prazeirosa alimentação humana.
     Além de minhas pesquisas, e do prazer de ter frequentado ótimos restaurantes franceses, tenho sido muito influenciado pelas agradáveis conversas com o meu amigo chef Bernard Twardy...
     Um de meus pratos japoneses, de que mais gosto, tem um forte "sotaque francês". Batizei-o de  Gyupari ("gyu" - carne bovina, "pari" - Paris). Trata-se de medalhões de filet mignon grelhados com foie gras ao molho Teriyaki, acompanhados de purê trufado de abóbora japonesa sobre leito de nirá. Bon appetit! Voilá!

GASTRONOMIA & ARTE NO MOANA

          Fomos convidados para o coquetel de lançamento de uma nova exposição no Restaurante Moana. O convite veio pessoalmente pelas mãos de meu amigo, o chef e proprietário do restaurante, Eduardo Sisi. Eduardo é um jovem chef, que já está brilhando muito no cenário gastronômico de Fortaleza (ele venceu o concurso do Festival do Camarão de Acaraú em 2010).
          A exposição atual é da designer de jóias Suzane Farias, e do fotógrafo Nicolas Gondim. Já expuseram os trabalhos no Moana, vários artistas de alto nível. entre eles, Gentil Barreira, Vando Figueiredo, Ascal, Cardoso Jr. e Cláudio Cesar.
          Foi uma noite memorável, pois estavam presentes muitas pessoas interessantes, em um ambiente em que se respirava arte. Os trabalhos dos artistas expositores estavam maravilhosos. Mas, gostaria de destacar o trabalho artístico do chef Eduardo Sisi, que conseguiu servir aos convidados suas últimas criações gastronômicas. E ele conseguiu apresentar o seu trabalho, com um descontraído serviço volante de coquetel. Acho que a melhor forma de mostrar este trabalho é através das fotos. Melhor ainda, é conferir o sabor destes pratos no Moana!

1. Parma alado - filé de peito de frango, queijo emmental, queijo coalho e presunto parma sobre molho agridoce de jabuticaba, amora e licor de cassis, acompanhado de pipoca de arroz selvagem.


2. Camarão ao tartufo bianco - camarões flambados ao molho branco aromatizado com azeite de tartufo bianco, acompanhado de risoto de funghi.


3. Camarões di Veronezi - camarão flambado ao brandy sobre risoto de parmesão, acompanhado de gratinado de abobrinha ao catupiry finalizado com presunto parma.


4. Nhoque de mandioquinha trufado - nhoque artesanal de mandioquinha e trigo, com molho de queijo emmental, acompanhado de filé mignon alto grelhado ao ponto, finalizado com flakes de castanha do Pará.

5. Camarão crocante da Costa Negra - camarão empanado com farinha crocante sobre molho agridoce de maracujá, manga, cupuaçu e licor de laranja, acompanhado de salada verde e bardana.

6. Costelinhas lás de casa - costelinha de porco confitada e frita, acompanhada de molho de 4 molhos.


7. Carré caipira - carré de cordeiro grelhado na frigideira acompanhado de farofinha.


8. Picadinho maravilha - filé mignon de cordeiro grelhado na frigideira, acompanhado de arroz puxado com cogumelos shitaki e queijo parmesão.